Minissérie Funções Executivas: Parte 1 - Princípios de uma intervenção eficaz em funções executivas
Como área profissional, ainda estamos presos a formas antigas de pensar quando se trata de planejar os serviços para alunos com disfunção executiva.
Quando falamos em “intervenção em habilidades sociais”, pensamos em um adulto ensinando um grupo de crianças a seguir as regras em situações sociais, enquanto os alunos respondem a perguntas e discutem para demonstrar o que entenderam.
A falta de generalização continua sendo um dos maiores pontos de dificuldade para os terapeutas que usam esses modelos.
E, embora a maioria dos profissionais concorde que a colaboração com outros profissionais e com os cuidadores é importante, o “planejamento” dessas ações costuma ser menos intencional do que o planejamento da intervenção direta.
Por isso, na School of Clinical Leadership, a primeira coisa que ensino aos profissionais é como criar um plano estratégico de longo prazo para implementar o suporte às funções executivas em sua carteira de pacientes (e, às vezes, na escola inteira) usando múltiplos modelos de prestação de serviços.
Quando toda a intervenção começa e termina dentro de uma sessão de terapia tradicional, os alunos não generalizam as habilidades de funções executivas para outros contextos.
Como área, precisamos evoluir na forma como pensamos o que está incluído nos serviços de “terapia” para funções executivas.
Há três mudanças de paradigma que profissionais, educadores e gestores escolares podem fazer ao pensar no apoio às funções executivas das crianças na escola.
Um dos maiores desafios dos terapeutas em relação às funções executivas é a generalização. Os profissionais também costumam relatar pouca generalização em “linguagem pragmática” ou “habilidades sociais”.
A primeira distinção que os profissionais podem fazer é pensar na “linguagem pragmática” como parte do guarda-chuva das funções executivas.
Aplicar bem a “linguagem pragmática” exige ler o ambiente e inferir os pensamentos, sentimentos e perspectivas em diferentes situações. Isso vai além da socialização casual, porque também se aplica a situações acadêmicas ou profissionais em que é preciso trabalhar com outras pessoas.
Quando pensamos na linguagem pragmática como parte das funções executivas, fica ainda mais claro por que essas habilidades não podem ser trabalhadas apenas com um modelo de terapia “fora da sala de aula”.
Por isso, é importante que os profissionais passem do “planejamento da terapia” para o “planejamento da prestação de serviços”.
Gosto de usar a analogia dos “baldes” para explicar a diferença entre o “planejamento da prestação de serviços” e o tradicional “planejamento de aulas/sessões”.
Quando pensamos em serviços de terapia, o “modelo” é como um balde que podemos encher de coisas (materiais, estratégias, protocolos etc.).
Daríamos a esse balde um rótulo com a dose certa de flexibilidade e especificidade para nos ajudar a organizar o que precisamos fazer para prestar os serviços. O planejamento da intervenção direta é um desses baldes, porque é um modelo de prestação de serviços.
Vejo com frequência profissionais colocando muitas coisas dentro do balde da “terapia fora da sala de aula” ou da “intervenção direta”. Isso inclui o que pode ser feito em terapia em grupo, em uma “aula” ou no formato individual.
Precisamos ter coisas de qualidade no balde da intervenção direta. Na verdade, algumas habilidades precisam estar especificamente nesse balde para que as crianças recebam a intensidade de que precisam em certas tarefas e habilidades, como explico neste post aqui.
Mas esse não é o único balde que precisamos encher.
Também precisamos encher o balde de “consultoria/coaching”, o balde de “capacitação” , o balde de “protocolos e materiais” e o balde de “planejamento estratégico de longo prazo”. Poderíamos incluir outros, mas esses são os principais.
Ou seja, em vez de apenas encher o balde da “intervenção direta” com mais materiais de terapia, podemos criar protocolos para uma sessão de consultoria ou de coaching com um professor.
Podemos documentar nossas técnicas terapêuticas criando recursos compartilháveis para outros profissionais ou para os pais, para que possam aplicar estratégias fora das nossas sessões.
Podemos trabalhar com a gestão ou com colegas da equipe em um plano de longo prazo para reservar tempo para todas essas ações ao longo do próximo ano.
Mesmo que a terapia direta pareça o maior balde, considerando os blocos de tempo da sua agenda diária, você pode (e deve) encher os outros baldes.
Quando planejamos de forma intencional como vamos oferecer esses outros modelos aos alunos, chamo isso de “planejamento da prestação de serviços”.
Ele é macro, estratégico e focado no que acontece ao longo do dia do aluno, e não apenas em um bloco de tempo da sua agenda.
Vou abordar a segunda mudança de paradigma para equipes multidisciplinares que implementam o suporte às funções executivas na “Parte 2” desta série de artigos.
Sobre a autora
A Dra. Karen Dudek-Brannan é fundadora e proprietária da Dr. Karen, LLC, uma empresa focada em capacitar terapeutas e educadores a planejar intervenções que apoiem a linguagem, a alfabetização e as funções executivas. Ela tem doutorado em Educação Especial e as certificações de Director of Special Education and Assistive Technology pela Illinois State University, além de mestrado e graduação em fonoaudiologia pela mesma universidade. Trabalhou 14 anos em sistemas escolares e ocupou diversos cargos de liderança e de ensino superior, formando e orientando profissionais. É apresentadora do podcast De Facto Leaders, no qual compartilha práticas baseadas em evidências, suas próprias experiências e entrevistas com convidados sobre temas ligados à reforma da educação e da saúde. Atualmente, ocupa um cargo de gestão no Illinois Department of Children and Family Services.
Conecte-se com a Dra. Karen no LinkedIn aqui.
Inscreva-se no treinamento “How to Be Evidence-Based and Neurodiversity-Affirming by Supporting Executive Functioning” aqui.
Baixe o “Executive Functioning Implementation Guide for School Teams” aqui.
Ouça o podcast DeFacto Leaders aqui.


