Construir com a comunidade, e não em nome dela: uma abordagem unificada para fonoaudiólogos e desenvolvedores de tecnologia

Jourdan Saunders, MS, CCC-SLP
Inovação

Quando se trata de criar soluções de comunicação para pessoas com deficiências de fala ou outros desafios de comunicação, a comunidade deve ser mais do que uma parte interessada — ela precisa estar no centro do processo. Seja você fonoaudiólogo ou desenvolvedor de tecnologia, as ferramentas mais eficazes e transformadoras são construídas com a comunidade, garantindo que suas necessidades e percepções orientem cada decisão.

A colaboração entre fonoaudiólogos, desenvolvedores e a comunidade garante que as pessoas não sejam receptoras passivas, mas participantes ativas na construção de ferramentas e terapias. Confira quatro princípios orientadores para ajudar você a criar soluções que mantenham a comunidade no centro do seu trabalho.

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1. Colaboração: a comunidade como parte integrante da equipe

As inovações de maior impacto nascem de uma colaboração profunda, em que a comunidade não apenas dá feedback, mas participa ativamente da construção da solução desde o início. Ao desenvolver aplicativos de comunicação ou técnicas terapêuticas, é importante incluir pessoas com deficiências de fala como colaboradoras-chave. Suas experiências em primeira mão oferecem percepções valiosíssimas, orientando o design e a funcionalidade das ferramentas para garantir que respondam a desafios reais.

Essa abordagem colaborativa costuma envolver um trabalho próximo com usuários que enfrentam desafios de comunicação, integrando o feedback deles em todas as etapas do desenvolvimento. Ao compartilhar abertamente suas dificuldades e preferências, os usuários ajudam a aprimorar recursos essenciais, garantindo que a solução atenda às suas necessidades específicas. Cocriar com os usuários garante que o produto final possibilite uma comunicação eficaz no dia a dia, evoluindo para ser intuitivo e responsivo às suas necessidades.

Ação prática: inclua pessoas com deficiências de comunicação no seu processo de desenvolvimento e design desde o início. A contribuição delas deve definir os recursos e as funcionalidades principais, garantindo que a solução esteja alinhada às suas necessidades de comunicação no dia a dia.

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2. Personalização e flexibilidade: soluções inovadoras que se ajustam a cada pessoa

Não existem duas pessoas com as mesmas necessidades de comunicação, por isso a personalização é essencial para que uma ferramenta ou terapia seja eficaz. Seja um aplicativo de comunicação ou um plano terapêutico, as soluções devem oferecer flexibilidade e personalização para se adaptar às necessidades e preferências específicas de quem as utiliza.

A personalização permite adaptar as ferramentas para incluir vocabulário, configurações e recursos que reflitam a vida pessoal, as preferências e as habilidades do usuário. A contribuição de usuários e profissionais garante que as soluções se adaptem a diferentes estilos de comunicação e habilidades motoras. 

Esse nível de personalização permite que os usuários criem uma interface de comunicação verdadeiramente única, apoiando sua independência e possibilitando uma participação significativa no dia a dia.

Ação prática: trabalhe em proximidade com a comunidade para identificar as opções de personalização que melhor atendam às suas necessidades. Sejam configurações flexíveis em um aplicativo ou metas terapêuticas adaptáveis, elas devem ser pensadas para as pessoas, permitindo que elas definam como usam as ferramentas.

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3. Feedback e adaptação contínuos: deixe a comunidade guiar a evolução

O papel da comunidade não termina quando o produto ou a terapia inicial é desenvolvido. Para garantir que as soluções de comunicação continuem relevantes e eficazes, é importante criar um ciclo de feedback em que os usuários possam compartilhar suas experiências e sugerir melhorias ao longo do tempo. Essa colaboração contínua ajuda a aprimorar e adaptar as soluções às necessidades em transformação.

Com o engajamento contínuo da comunidade, as experiências dos usuários podem trazer percepções fundamentais sobre como as soluções funcionam em diversos aspectos do dia a dia, das relações pessoais às interações profissionais. O feedback pode orientar o desenvolvimento de novos recursos, aprimorar as ferramentas existentes e garantir que as soluções continuem intuitivas e acessíveis. Ao incorporar essas atualizações, os dispositivos podem se tornar mais intuitivos, fáceis de usar e adaptados às necessidades de comunicação em evolução.

Ação prática: crie canais de feedback de fácil acesso, seja por meio de recursos de feedback no próprio aplicativo ou de acompanhamentos regulares com os pacientes em terapia. Isso garante que a solução evolua com as necessidades da pessoa e continue eficaz ao longo do tempo.

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4. Empoderamento pela independência: promovendo a autonomia

O objetivo final de qualquer ferramenta ou terapia de comunicação é capacitar as pessoas a se comunicarem de forma independente. Ao envolver a comunidade no processo de desenvolvimento, é mais provável que você crie soluções que realmente ampliem a autonomia. Quando os usuários ajudam a construir as ferramentas, elas se tornam mais intuitivas e acessíveis, promovendo mais autonomia.

Tecnologias acessíveis, projetadas com base no feedback dos usuários, podem melhorar significativamente a capacidade deles de superar desafios tanto na aprendizagem quanto no dia a dia. Recursos que atendem a necessidades específicas — como facilitar a leitura, a escrita ou a compreensão — ajudam a construir confiança e abrem portas para novas oportunidades educacionais e profissionais.

Ação prática: priorize a simplicidade e o controle do usuário ao projetar ferramentas de comunicação. Envolva a comunidade para garantir que a solução seja intuitiva e permita que os usuários a utilizem de forma independente. Essa abordagem promove confiança e uma conexão mais profunda com a ferramenta.

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Principais lições para fonoaudiólogos e desenvolvedores de tecnologia

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  1. Faça da comunidade parte integrante da equipe: construir soluções de comunicação com a comunidade garante que o produto final responda a experiências reais e vividas.
  2. A personalização impulsiona o sucesso: a personalização permite que cada pessoa adapte a ferramenta ou a terapia às suas necessidades específicas, tornando-a mais eficaz.
  3. O feedback contínuo alimenta a melhoria: adapte regularmente sua solução com base no feedback dos usuários para mantê-la relevante e eficaz à medida que as necessidades deles evoluem.
  4. Projete para a independência: as ferramentas devem ser intuitivas e capacitar os usuários a se comunicarem por conta própria, promovendo confiança e autonomia.

Ao integrar a comunidade ao centro do seu processo de desenvolvimento e design, você garante que as soluções criadas sejam não apenas práticas, mas também transformadoras. Seja você fonoaudiólogo ou desenvolvedor de tecnologia, a verdadeira inovação acontece quando você constrói com a comunidade, e não apenas para ela.

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‍Sobre a autora

‍Jourdan Saunders, fonoaudióloga, CEO da The Resource Key, ex-ginasta competitiva e reconhecida como LinkedIn Top Voice em Equidade no Ambiente de Trabalho, capacita líderes com estratégias de marketing inovadoras para criar sistemas sustentáveis de experiências digitais acessíveis a todos, incluindo pessoas com deficiência e pessoas idosas.

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Com um histórico comprovado de trabalho com marcas que captaram mais de US$ 20 milhões em investimentos, Jourdan aproveita sua perspectiva única de quem vive com afantasia — condição em que a pessoa não consegue visualizar imagens mentais. Essa vivência pessoal impulsiona seu compromisso com um mundo digital mais inclusivo. Seus recursos, ferramentas e soluções inovadoras já alcançaram mais de 2 milhões de pessoas em mais de 300 organizações, e ela conta com mais de 50 mil seguidores.

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Suas palestras sobre inclusão e acessibilidade têm grande repercussão, impulsionando discussões e ações de impacto. Da saúde à tecnologia, ela defende a mudança, contribuindo com iniciativas como a 'Partner to Empower', da Brookfield Properties, e a 'Planet Positive 2030', do Institute of Electrical and Electronics Engineers (IEEE).

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Portfólio da Jourdan:  www.jourdansaunders.com

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